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Aprendizado

06.08.2009 | 23:34

Estratégia básica para encerrar operações

Publicado na(s) categoria(s) Análise Técnica, Aprendizado, Marcos Abe, por Aluno

É comum investidores iniciantes se preocuparem apenas em como e quando começar uma operação. A questão é que uma entrada bem feita, numa operação, pode se tornar um desastre se o operador não souber como e quando encerrar a mesma. Então podemos dizer que para operar lucrativamente, saber finalizar operações é tão importante quanto saber iniciá-las.

Uma estratégia muito comum é o estabelecimento de alvos operacionais. E a forma mais usada para estabelecer esses alvos é a utilização de suportes e resistências.
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05.05.2009 | 12:15

Estratégia básica para investir em ações

Publicado na(s) categoria(s) Análise Técnica, Aprendizado, Marcos Abe, por Aluno

Olá amigos e investidores,

A seguir mais um artigo do Marcos Abe voltado ao aprendizado.

Os conceitos de suporte e resistência representam a base da Análise Técnica. Saber como identificá-los e como demarcá-los é algo de primordial importância para os investidores.

O suporte é definido como um nível de preços onde a pressão compradora supera a vendedora a ponto de interromper um movimento de baixa ou revertê-lo. Por sua vez, a resistência é uma região de preços onde a pressão vendedora supera a compradora gerando interrupção do movimento de alta ou uma reversão. Simplificando, suporte e resistência são regiões gráficas onde observamos inflexões no movimento dos preços.

Veja na ilustração abaixo exemplos de resistência e suporte. Ambos estão representados por linhas horizontais. Observe como são regiões onde ocorrem mudanças de direção no movimento dos preços.

Quando os preços conseguem superar uma resistência dizemos que ocorreu um rompimento da mesma (veja ilustração acima). O rompimento ocorre porque a pressão compradora que gerou o movimento de alta dos preços continua mais forte que a pressão vendedora mesmo quando atinge a resistência – ou seja, o otimismo é grande e há muito mais agentes do mercado tentando comprar do que agentes desejando vender.

É básica a idéia de que, em qualquer mercado, quando temos mais compradores do que vendedores, ocorre uma valorização do objeto de negociação. Logo, se um papel chegou a romper uma resistência, encontramos uma evidência de que os preços se elevarão ainda mais devido ao fato de que a demanda pelo ativo é maior que a quantidade de ofertas de venda. Por essa razão buscamos por oportunidades de compras no rompimento de resistências. Essa é a estratégia básica para abertura de posições, dentro de um leque de opções, que fazem parte de um sistema de investimentos baseado em análise de gráficos.

Como investidores que utilizam a Análise Técnica, conseguimos fazer uma leitura dos movimentos da massa de investidores e assim procuramos montar operações que acompanham seus passos.

Em meu livro “Manual de Análise Técnica: Essência e Estratégias Avançadas” ensino quais aspectos levar em consideração ao avaliar um rompimento e como analisá-los para encontrar oportunidades de iniciar operações com maior probabilidade de êxito.

Apesar de ser uma estratégia básica, é necessário avaliar uma série de fatores para evitar a compra de ações que estejam realizando falsos rompimentos de resistências, que podem resultar em prejuízos. Por outro lado, compras realizadas no rompimento de resistências com fatores que confirmam o padrão resultam numa maioria de operações muito lucrativas.

Marcos Abe é investidor e autor do livro “Manual de Análise Técnica – Essência e Estratégias Avançadas”.

Nota:
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23.04.2009 | 16:30

A crise expandindo os horizontes do investidor brasileiro

Publicado na(s) categoria(s) Aprendizado, Marcos Abe, por Aluno

A seguir um ótimo artigo do Marcos Abe, voltado ao aprendizado no mercado de ações e análise técnica.

Entre o segundo semestre de 2002 e o primeiro semestre de 2008 observamos um grande ciclo virtuoso na economia mundial. Nesse período, muitos brasileiros foram atraídos para a bolsa de valores devido aos enormes ganhos que as ações proporcionaram. Muitos ganharam dinheiro com relativa facilidade, pois o forte mercado altista possibilitava ganhos até para leigos sem um bom sistema de investimentos. Entretanto, a recente crise do subprime provocou enorme prejuízo principalmente aos investidores iniciantes que entraram na fase final desse ciclo de expansão. Investidores assustados saíram do mercado tentando salvar o que restou de seu patrimônio; outros estão rezando para o mercado voltar a subir. E outros que estavam pensando em começar a investir desistiram da ideia.

O que a maioria dos brasileiros desconhecem, é que o mercado de ações possibilita ganhos até quando está em queda. Seria quase inevitável ficar sem engolir algum prejuízo com essa reviravolta no mercado, mas tenha certeza de que há investidores ganhando rios de dinheiro com a queda das ações.

Além de comprar ações para tentar ganhar com sua possível valorização há a possibilidade de fazer operações de venda para tentar lucrar com a queda dos seus preços. Isso pode ser realizado de duas formas: efetuando vendas a descoberto ou vendas alugadas.

A venda a descoberto é um tipo de operação permitida apenas para realização de day-trades (operações iniciadas e terminadas no mesmo dia). Nesse tipo de operação o investidor vende ações que não possui em sua custódia esperando que seus preços caiam abaixo do preço de venda. Ao recomprar as ações mais barato do que vendeu, o investidor estaria lucrando com a diferença entre o valor que recebeu pela venda a descoberto e o valor que desembolsou para recomprar as ações e assim encerrar sua operação.

As operações de venda a descoberto podem ser realizadas por meio de um sistema de operações que utiliza a Análise Técnica como forma de análise das ações. A seguir, vamos estudar um exemplo.

Temos na figura ilustrativa um gráfico da PETR4 na periodicidade de 5 minutos. No ponto A encontramos o papel dentro de uma tendência de baixa fazendo um repique até a resistência dada pela média móvel de 21 períodos e o suporte rompido, anteriormente, no movimento de expansão que precedeu essa correção. Repare que esse movimento de alta se deu com candles de corpos pequenos até culminar num doji em cima da resistência. Por essa leitura dos candles vemos que o movimento de alta não possui força. O doji formado na resistência nos dá um sinal de que é possível ocorrer uma retomada do movimento de baixa a partir desse ponto.

Se fôssemos operar esse papel poderíamos vendê-lo a descoberto na perda da mínima do doji. E também poderíamos traçar a extensão alternada de Fibonacci e combiná-la com os suportes para projetarmos o alvo da operação. Veja em B que temos um suporte dado pelo gap formado na abertura do pregão, nesse dia, nas proximidades da extensão alternada de 100%. Esse seria o nosso ponto de recompra do ativo para encerrar a operação. Observe que a PETR4 atingiu justamente esse nível de preços antes de fazer nova correção do movimento de baixa. Se tivéssemos seguido o plano de ação descrito, teríamos obtido um lucro bruto próximo de 0,7% – o que é bem razoável para um day-trade.

Como as vendas a descoberto são permitidas apenas para day-trades, aqueles que desejam montar operações de venda de maior duração precisam recorrer ao aluguel de ações.

Uma operação de venda alugada consiste em alugar ações de outros investidores mediante o pagamento de uma taxa de juros anual ao doador das ações e uma taxa de intermediação à corretora. Para efetuar a operação, o investidor entra em contato com a corretora por um de seus canais de atendimento e solicita as ações. Esclarecido detalhes como quantidade de ações, taxa de juros (valor a ser pago pelo aluguel), tipo de contrato (reversível ou não-reversível) e prazo de duração do mesmo a mesa de operações da corretora se encarrega de efetuar o aluguel e colocar as ações na custódia do tomador.

Uma vez alugada as ações, o tomador pode vendê-las e recomprá-las quantas vezes quiser até três dias antes do vencimento do contrato de aluguel – devido ao prazo de liquidação de D+3. O contrato pode durar alguns meses, mas se for reversível o tomador poderá devolver as ações no momento em que achar apropriado, pagando somente a taxa de juros proporcional ao tempo em que as ações estiveram sob sua custódia. Essa taxa varia conforme a liquidez do ativo. Um ativo mais liquido como a VALE5 pode ter uma taxa de menos de 0,4% ao ano enquanto um outro menos líquido como a JBSS3 pode ter uma taxa de 8% ao ano.

No próximo exemplo, encontramos a PETR4 no período diário. Vamos ver como a Análise Técnica nos ajudaria a fazer uma operação de venda alugada neste caso.

A partir do meio do gráfico o ativo entra em tendência de baixa. No ponto A encontramos o papel corrigindo logo após romper o suporte. Essa correção sente o suporte rompido atuando como resistência e os preços formam um candle de reversão nesse ponto. Esse seria um sinal de que poderíamos iniciar uma operação de venda. Aqui também poderíamos traçar a extensão alternada de Fibonacci e descobriríamos que há um suporte em torno de R$ 32,64 logo após a extensão de 100%, conforme podemos observar em B. Esse seria nosso alvo para recomprar as ações e encerrar a operação. Então, no dia seguinte, poderíamos efetuar uma venda a descoberto na perda da mínima desse candle de reversão e em seguida alugar ações na mesma quantidade da venda realizada para nos mantermos posicionados até o alvo da operação. Conforme é possível observar, nesse caso também seríamos bem sucedidos ao recomprar as ações exatamente no alvo. O lucro bruto dessa operação seria algo próximo de 11% depois de quatro dias posicionados.

A partir desses exemplos podemos afirmar que não importa se o mercado se encontra em tendência de alta ou de baixa, mas sim sabermos aproveitar seus movimentos.

Estamos passando pela pior crise econômica desde 1929. A maioria dos investidores na ativa nunca viram coisa parecida. Como podemos constatar, a vida de muita gente foi prejudicada. Empregos foram perdidos, famílias estão em dificuldades financeiras… Contudo, é verdade quando dizem que toda crise trás oportunidades. Para os brasileiros, em especial, a crise está trazendo uma oportunidade para repensar seus conceitos e expandir seus horizontes como investidores da bolsa se valores; é uma chance de aprender a operar nos mercados em baixa assim como os norte-americanos já fazem há muito tempo.

Marcos Abe é investidor e autor do livro “Manual de Análise Técnica – Essência e Estratégias Avançadas”.

Nota:
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06.04.2009 | 19:00

Venda coberta como laboratório

Publicado na(s) categoria(s) Aprendizado, Elvis Pfützenreuter, Opção, por Aluno

Olá amigos e investidores,

A seguir mais um artigo do Elvis Pfützenreuter sobre investimento em opções.

Mencionamos brevemente no post anterior sobre opções, que venda coberta de opções tem diversas vantagens, entre elas a de servir como trampolim e laboratório para operações mais complexas. Usando uma venda coberta prévia, podemos operar de forma mais arrojada, mas ainda com segurança, e ainda ganhando algum dinheiro.

A forma básica de venda coberta é: comprar ou possuir ações, e lançar (vender a descoberto) o mesmo número de opções. O lançador coberto típico vai estar sempre “vendido” nas opções do próximo vencimento. Quando elas vencem e expiram, ele vende opções do vencimento seguinte. Exemplo de operação:

18/03/2009
+1000 VALE5
-1000 VALED28

No dia 18/3 esta operação fazia sentido porque VALE5 estava em torno de R$ 27. Se fôssemos montá-la hoje, com VALE5 acima de R$ 28, talvez fosse melhor vender VALED30, ou VALEE30. Mas isto não vem ao caso agora.

A primeira variação que o operador pode tentar em cima desta base, é recomprar oportunisticamente as opções numa queda de preço. Isto serve para embolsar definitivamente o lucro, e abre oportunidade para um novo lançamento de opções se os preços se recuperarem. No caso da operação-exemplo acima, os dias 31/3 e 1/4 foram oportunidades para fazer isso.

Desta forma, o operador que domina a análise técnica de ações pode utilizar este conhecimento para alavancar seu ganho na venda coberta. “Ok”, perguntará alguém, “então porque não comprar opções a seco com base em análise técnica?”

Porque, para ganhar dinheiro comprando opções, não basta estar certo ao longo do tempo. É preciso estar certo o tempo todo. Se a análise técnica ou fundamentalista aponta (corretamente) que determinada ação vai subir, mas justamente no dia do vencimento da opção ela cair, quem comprou opções perde tudo. Não há margem alguma para erro.

Já o vendedor coberto tem margem de manobra. Se ele recomprar as opções e depois ficar claro que isto foi um erro, ele não perdeu, apenas deixou de ganhar; e pode ficar esperando calmamente a próxima oportunidade. Já quem comprou opções a seco não vai poder nem ir ao banheiro, com medo que um movimento brusco do mercado leve todo o seu dinheiro embora.

Pode-se então tentar operações mais elaboradas. Por exemplo, “rolar” a venda coberta para um vencimento mais distante:

+1000 VALED28
-1000 VALEE30

Considerando a rolagem isoladamente, temos um “time spread“, uma operação razoavelmente sofisticada que aposta na diminuição da volatilidade futura. Naturalmente, como já havia uma venda coberta antes, o saldo final é apenas outra venda coberta.

Podemos (e devemos) conceber e calcular as operações de rolagem como se fossem spreads de pleno direito, cujo risco é muito alto quando feitos sem a “rede de segurança” da venda coberta. Se o operador for bem-sucedido nestas rolagens, pode muito bem passar a fazer apenas spreads.

Se o preço da ação cair, pode-se fazer rolagem para baixo dentro do mesmo mês, o que equivale a um “credit call spread“:

+1000 VALED28
-1000 VALED26

Pode-se também rolar para cima quando o preço sobe como forma de diminuir o prejuízo, o que equivale a um “debit call spread“:

+1000 VALED28
-1000 VALED30

Meu nome é Elvis Pfützenreuter, sou pesquisador na área de ciência da computação. Também tenho grande interesse em finanças, tanto para fins de investimento pessoal como por curiosidade científica. Recentemente, escrevi um livro (ao lado) a respeito de opções, que talvez interesse a investidores que desejem conhecer melhor estes ativos.

06.04.2009 | 15:00

Não há caos, há volatilidade

Publicado na(s) categoria(s) Aprendizado, Carlos Debastiani, por Aluno

A seguir mais um artigo do Carlos Alberto Debastiani enviada ao blog.

O que vejo estampado no rosto das pessoas, com frequência, quando o assunto é investimentos em ações, é uma resistente e aterradora expressão de perplexidade. A maioria delas está temerosa e pessimista diante daquilo que acreditam ser o caos completo. Desoladas com o comportamento do mercado de capitais a partir do agravamento da crise financeira internacional (no decorrer do segundo semestre de 2008), juram que nunca mais irão colocar um só centavo na bolsa de valores.

No entanto, se olharmos com mais atenção para os gráficos dos principais papéis da Bovespa, nos últimos meses, o que veremos não é caos, é apenas volatilidade. Devemos entender a volatilidade como uma condição de mercado na qual uma boa parte dos investidores opera sob a pressão de mudanças bruscas e antagônicas de expectativa, ora baseadas em fatores externos, ora forçada por seu próprio descontrole. Adicione a esse contexto o apimentado tempero da completa falta de consenso sobre o rumo futuro da economia e teremos o cenário atual, onde vemos papéis que apresentam até dois dígitos de oscilação em um único pregão.

Quando afirmo que não existe caos, tomando por base as técnicas mais conhecidas de análise gráfica, quero dizer que se ele realmente tivesse se instalado no mercado, tais técnicas não funcionariam mais, pois as bases nas quais elas se fundamentam teriam perdido sua validade.

No entanto, podemos ver que todas as ferramentas de análise técnica, seja em sua vertente estatística ou empírica, continuam sendo efetivas. Não tenho encontrado nelas, nenhuma indicação de que possam falhar mais agora. Aquilo que sempre funcionou (dentro do que se considera “funcionar”, em estatística) ainda oferece o mesmo nível de resultado que oferecia antes da crise. Dessa efetividade temos inúmeros exemplos, nas mais diversas ferramentas.

Se essa é a situação, apenas nos cabe continuar a fazer o que sempre fizemos: analisar o comportamento do mercado (que continua a ser repetitivo e, portanto, razoavelmente previsível, apesar da volatilidade) para nos posicionarmos a favor dele. Talvez o que nos falta seja apenas “calibrar” nossas ferramentas de análise para operar em trades mais curtos, pois as tendências de agora se mostram bem mais curtas do que eram antes, em função da falta de consenso.

Ao contrário do que muitos imaginam, a volatilidade pode representar um momento de oportunidade, na medida em que proporciona a possibilidade de lucros rápidos. Nesse cenário volátil conseguimos ver, a cada mês, oportunidades de ganho mais elevado que antes apareciam uma ou duas vezes ao ano.

As possibilidades de ganho parecem escassas apenas para os investidores com perfil de longo prazo, que não se valem das oscilações de mercado para operar e que, em função delas, não conseguem ver seus papéis com valorização constante, como ocorria antes da crise de 2008. No entanto, até mesmo investidores com esse perfil podem se valer da volatilidade para ampliar sua carteira, aproveitando os frequentes momentos de baixa para sair às compras, já que a maioria dos papéis pode ser adquirida a preços muito baixos, pelo menos uma vez a cada mês.

Carlos Alberto Debastiani é empresário, investidor e autor dos livros “Candlestick“, “Análise Técnica de Ações” e “Avaliando Empresas, Investindo em Ações“.

16.03.2009 | 18:53

Venda coberta de opções

Publicado na(s) categoria(s) Aprendizado, Elvis Pfützenreuter, Opção, por Aluno

Olá amigos e investidores,

A seguir mais um artigo do Elvis Pfützenreuter sobre investimento em opções.

A venda coberta de opções consiste em lançar (vender a descoberto) algumas opções, enquanto se possui o ativo subjacente em igual número. Exemplo: se eu possuo 1000 ações VALE5, posso lançar 1000 opções de compra VALE*** — por exemplo, VALED30 — não importa o valor de exercício (strike) ou o mês de vencimento.

Lançar opções de venda é um pouco mais complicado, pois neste caso o “lastro” da operação teria de ser uma venda a descoberto de ações. Para o investidor amador, acabaria sendo mais fácil oferecer uma garantia em dinheiro. Como o mercado de opções de venda ainda é muito pequeno no Brasil, vamos ignorar a venda de opções de venda. Por enquanto.

Cabe aqui um esclarecimento. Lançar opções é, de certa forma, vendê-las a descoberto, já que o investidor está vendendo algo que não possui. Porém, isto é diferente de vender ações a descoberto. Para vender ações a descoberto, é preciso alugar as ações de outro alguém que as possua — o que a corretora providencia automaticamente. A questão é que a quantidade total de ações no mercado continua sendo a mesma. Já no caso das opções, a venda a descoberto cria um papel novo, e a quantidade de opções no mercado aumenta, por isso dizemos que a opção foi “lançada”.

Minha operação predileta com opções é a venda coberta de opções de compra. Apesar da infinita variedade de operações à disposição do investidor, acabo sempre ficando com a venda coberta, e vou dar meus motivos:

1) Preguiça. A venda coberta é fácil e não exige muita dedicação. Mesmo que eu não possa acompanhar minha carteira por um tempo, não corro riscos ilimitados, como seria o caso numa venda descoberta.

2) Certeza do desfecho. A operação só tem dois desfechos possíveis. Ou a ação sobe acima do valor de exercício (Strike) e eu sou exercido, ou não. O dinheiro arrecadado com a venda das opções nunca mais sai do meu bolso.

3) Gosto da relação risco/retorno desta operação. Isto já é uma opinião totalmente pessoal, outros investidores certamente consideram seu retorno muito pequeno.

4) Facilidade e baixo custo de implementação. Minha corretora permite fazer venda coberta através do home broker, enquanto uma trava de baixa já teria de ser feita por telefone, ou através do home broker “avançado” que custa uma mensalidade muito mais cara.

5) Baixo custo de corretagem: paga-se corretagem uma vez para lançar as opções, e talvez mais uma vez se elas forem exercidas, ou a operação for desmontada. Operações mais complexas custam muito mais em corretagem, o que come uma parte importante do lucro quando o investidor ainda não é milionário.

6) Tira proveito do fato que vender opções dá mais dinheiro ao longo do tempo do que comprá-las, da mesma forma que uma seguradora é em geral lucrativa. Na medida em que mais e mais investidores lancem opções, isto pode deixar de ser verdade; veremos depois qual o critério para saber se a operação vale a pena.

7) Funciona como “laboratório” para aprender-se a operar com opções, e mesmo para tentar operações um pouco mais arrojadas. Isto será objeto de um próximo artigo.

Naturalmente, a venda coberta tem suas desvantagens.

1) Exige mais capital que outras operações com opções. Isto é resultado natural do baixo risco e baixo retorno. Para se fazer uma venda coberta, é preciso possuir no mínimo um lote de ações cujas opções tenham mercado líquido (Vale, Petrobrás ou Telemar). E, com apenas um lote, o custo de corretagem acaba comendo uma parte considerável do lucro.

2) Pode matar o investidor de tédio, pois normalmente operará apenas uma vez por mês.

3) A carteira de ações do investidor fica limitada a poucos papéis (Vale, Petrobrás e Telemar). Se o investidor prefere diversificar em um grande número de ações, terá pouco ou nenhum lastro para a venda coberta (mas poderia então pensar em lançar opções sobre o IBOVESPA).

Também não é toda e qualquer opção que vale a pena vender. A regra geral é: as opções com vencimento mais próximo, e mais ATM (at-the-money, ou seja, com valor garantido mais próximo do valor da ação subjacente) são as candidatas naturais a serem vendidas. São estas as opções mais “caras”, cujo valor extrínseco é o maior possível. No caso da ação VALE5, que neste momento (16 de março) custa aproximadamente R$ 27,00, a opção mais “apetitosa” para lançamento é a VALED28, que vence em 20 de abril e tem strike (valor garantido) de R$ 28,00. A propósito, esta opção está sendo vendida a R$ 1,58.

Meu critério particular para saber se vale a pena lançar uma opção, tem a ver com a taxa de juros. Embora a taxa de juros represente uma pequena parte do valor teórico da opção, ela tem importância muito maior para esta operação.

Usando ainda a VALE5 e a VALED28 como cobaias, o lucro com o lançamento da opção seria de 1,58 / 27,00 = 5,8% ao mês. Nada mau, considerando que a taxa-base de juros está próxima de 1% ao mês. Mas é prudente lembrar que este retorno é a recompensa que o investidor recebe por abrir mão dos lucros caso VALE5 suba além de R$ 28,00, além de correr o risco de uma queda brusca de VALE5.

Se o investidor desconfia que a VALE5 vai dar um salto em breve, poderia vender VALED30 ao invés de VALED28, diminuindo as chances de ser exercido e ainda percebendo um retorno de R$ 0,84 (3,1% ao mês).

Neste mês a decisão de vender coberto é fácil, porque a volatilidade está na estratosfera, o que aumenta o valor das opções. A decisão começa a ficar mais difícil quando o retorno sobre o investimento começa a ficar em 2%, 1,5%, cada vez mais próximo de uma aplicação em renda fixa (que não oferece risco algum). Foi o caso em meados do ano passado, quando a Bolsa ainda estava lá no alto.

Conforme as coisas se acalmarem na economia mundial, e/ou mais gente passar a vender opções, a tendência natural é a volatilidade cair, o que torna a venda coberta menos interessante frente à renda fixa. Assim, o investidor deve comparar o retorno potencial com a taxa de juros a cada nova operação, e pesar bem se o retorno compensa os riscos.

Meu nome é Elvis Pfützenreuter, sou pesquisador na área de ciência da computação. Também tenho grande interesse em finanças, tanto para fins de investimento pessoal como por curiosidade científica. Recentemente, escrevi um livro (ao lado) a respeito de opções, que talvez interesse a investidores que desejem conhecer melhor estes ativos.

Nota:
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