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Aprendizado

03.09.2007 | 20:45

Princípios Essenciais

Publicado na(s) categoria(s) Análise Técnica, Aprendizado, por Dalton Vieira

Dando continuidade a série de artigos voltados para o Aprendizado da Análise Técnica, neste artigo descreverei os princípios fundamentais para fazer a análise gráfica de qualquer ação.

“A vontade de se preparar tem de ser maior que a vontade de vencer.”
BOB KNIGHT
fonte: Transformando suor em ouro – Bernadinho

Movimentos

O preço de uma ação movimenta-se somente em 03 direções. São elas:

1. Para cima
2. Para baixo
3. Lateralmente

Os preços movimentam-se para cima ou para baixo por causa de dois sentimentos impregnados no mercado financeiro: Ganância e Medo. O preço sobe devido à ganância dos compradores e medo dos vendedores. O preço cai por causa da ganância dos vendedores e medo dos compradores.

Topos e Fundos

A partir do momento que o sentimento de ganância dos compradores dá lugar ao medo e o medo dos vendedores dá lugar a ganância, então há a formação de um Topo no gráfico. Por outro lado, se o sentimento de ganância dos vendedores dá lugar ao medo e o medo dos compradores dá lugar a ganância, então há a formação de um Fundo no gráfico. Esta mudança de sentimentos dos compradores e vendedores é destacada no gráfico através do Ponto de retorno, conforme mostra a figura abaixo.


O topo é antecedido por duas ou mais barras ou candles ascendentes e é marcado após o surgimento de um ponto de retorno. O fundo é antecedido por duas ou mais barras ou candles descendentes e também é marcado após o surgimento de um ponto de retorno. O ponto de retorno é a quebra da seqüência do movimento de alta ou baixa.

A seguir exemplo da marcação dos topos e fundos no gráfico semanal do Ibovespa.


A identificação dos topos e fundos na análise técnica é essencial, pois são através deles que são definidos outros princípios importantes, como os suportes, as resistências e a tendência de uma determinada ação.

Tendência

Uma tendência de alta é definida por topos e fundos ascendentes, enquanto que uma tendência de baixa é definida por topos e fundos descendentes. Quanto maior o tempo gráfico mais importante é o significado da tendência dos preços. Portanto, a tendência do gráfico semanal é mais importante do que a do diário.

A seguir exemplo de um gráfico em tendência de alta. Perceba que os topos e fundos são mais altos que os anteriores, logo ascendentes.


A seguir exemplo de um gráfico em tendência de baixa. Perceba que os topos e fundos são mais baixos que os anteriores, logo descendentes.


Os preços também podem ficar em uma faixa de negociação chamada pelos analistas técnicos de congestão, significando uma indecisão por parte dos investidores. A congestão ocorre quando o topo atual não supera o topo anterior e o fundo atual não supera o fundo anterior. Na maior parte do tempo os preços ficam em faixas de negociação. A seguir o gráfico do Ibovespa em faixa de negociação (congestão).

Perceba que após o movimento de baixa entre o primeiro topo e fundo, destacados pela inicial maiúscula, o gráfico semanal do Ibovespa fica congestionado. Por que congestionado? Porque não há um movimento de alta superando a máxima do primeiro Topo, nem um movimento de baixa superando a mínima do primeiro Fundo. Quanto maior for o tempo que os preços permanecerem em faixa de negociação, mais importante será o rompimento da resistência ou suporte desta congestão.

Nas tendências de alta, cada subida do mercado atinge um ponto mais alto do que a anterior e cada declínio pára em um ponto mais alto do que o precedente. Nas tendências de baixa, cada declínio cai para um ponto mais baixo do que o anterior e cada subida cessa em nível mais baixo do que o precedente. Nas faixas de negociação, a maioria das subidas pára mais ou menos na mesma altura e os declínios cessam mais ou menos no mesmo ponto.

Quando há a quebra ou reversão de uma tendência de alta?

Quando há o rompimento da mínima do fundo que antecede o último movimento de alta dos topos e fundos ascendentes. A figura abaixo ilustra a quebra de um tendência de alta.


Quando há a quebra de uma tendência de baixa?

Quando há o rompimento da máxima do topo que antecede o último movimento de baixa dos topos e fundos descendentes. A figura abaixo ilustra a quebra de uma tendência de baixa. Observe que neste exemplo antes de ocorrer a quebra da tendência de baixa há um topo e fundo secundários. Eles são secundários porque estão entre a máxima e mínima do último movimento de baixa, ou seja, não superam o topo e fundo anteriores.


Quando ocorre a confirmação de uma nova tendência de alta?

Quando após a quebra da tendência de baixa há um fundo superior ao menor fundo e na seqüência ocorre uma máxima superior ao topo responsável pela quebra da tendência de baixa. Esta confirmação na análise técnica é chamada de pivô de alta. Veja exemplo na figura abaixo:


Quando ocorre a confirmação de uma nova tendência de baixa?

Quando após a quebra da tendência de alta há um topo inferior ao maior topo e na seqüência ocorre uma mínima inferior ao fundo responsável pela quebra da tendência de alta. Esta confirmação na análise técnica é chamada de pivô de baixa. Veja exemplo na figura abaixo:


Suportes e Resistências

Suporte é um nível de preço onde ocorre uma pressão compradora suficiente para interromper ou reverter um movimento de baixa. Resistência é um nível de preço onde ocorre uma pressão vendedora suficiente para interromper ou reverter um movimento de alta.

As resistências e os suportes normalmente estão localizados nos topos e fundos do gráfico, respectivamente. No topo há resistências no maior preço de fechamento e na máxima (extremo). No fundo há suportes no menor preço de fechamento e na mínima (extremo). O gráfico abaixo mostra a identificação dos pontos de resistência e suporte, como também da zona de resistência e suporte.

É melhor traçar linhas de suporte e resistência entre as bordas de áreas de congestionamento em vez de entre preços extremos. As bordas mostram onde massas de investidores mudaram de opinião, ao passo que os pontos extremos refletem apenas o pânico entre os investidores mais fracos.
ALEXANDER ELDER

Zonas de Resistência e Suporte

As zonas de resistência podem ser definidas pela região entre o maior preço de fechamento de um topo até a máxima (extremo) do mesmo, conforme destacado na figura acima. Além disso, podem também ser definidas por uma seqüência de dois os mais topos onde as bordas ou os extremos estão próximos, conforme mostra o gráfico abaixo.


As zonas de suporte podem ser definidas pela região entre o menor preço de fechamento de um fundo até a mínima (extremo) do mesmo. Além disso, podem também ser definidas por uma seqüência de dois os mais fundos onde as bordas ou os extremos estão próximos, conforme mostra o gráfico abaixo.


Mudança de Polaridade

É a conversão de uma antiga resistência em um suporte ou de um antigo suporte em uma resistência. A figura abaixo mostra a mudança de polaridade entre suporte e resistência.


Por que ocorre esta mudança de polaridade?

Imagine que quando os preços se aproximaram do suporte (ponto A) destacado na figura ao lado, você efetuou um compra. No entanto os preços continuam caindo e seu prejuízo aumentando. Você provavelmente pensará: “tomara que aconteça um retorno dos preços para que eu possa vender esta ação e encerrar esta operação com o menor prejuízo possível”. Portanto, quando os preços se aproximarem do ponto B provavelmente ocorrerá uma pressão vendedora proporcionada por outros investidores que estão em uma situação semelhante a sua, formando-se então uma resistência para subida dos preços.

Além disso, há aqueles investidores que gostariam de vender no rompimento do suporte (ponto A), mas perderam o “bonde” e ficaram só ass
istindo a queda do preço. Estes investidores provavelmente já estão pensando: “Se eu tiver uma oportunidade para entrar novamente após um retorno dos preços, com certeza eu venderei”. São estes investidores com objetivos diferentes, um querendo sair e outro querendo entrar, que formarão a pressão vendedora responsável por estabelecer uma resistência no antigo suporte.

Observe a seguir a ocorrência da mudança de polaridade no gráfico semanal do Ibovespa.


Este princípio é mencionado no excelente livro do STEVE NISON – Japanese Candlestick Charting Techniques (second edition).

Linha de Tendência

As linhas de tendência servem para identificar tendências e também funcionam como suporte ou resistência para os preços. Quanto maior for a inclinação da linha de tendência mais forte é a tendência vigente dos preços.

Quando há topos e fundos ascendentes a linha de tendência é traçada ligando as bordas ou os extremos dos fundos. Portanto temos um linha de tendência de alta. Veja o exemplo abaixo:


Quando há topos e fundos descendentes a linha de tendência é traçada ligando as bordas ou os extremos dos topos. Portanto, temos uma linha de tendência de baixa. Veja o exemplo abaixo:

A linha de tendência é muito usada pelos analistas técnicos para direcionar suas operações. Quando a inclinação da linha é para cima normalmente operam comprando. Quando a inclinação é para baixo normalmente operam vendendo. Os pontos preferidos para entrada são geralmente quando a linha de tendência é usada como suporte ou resistência.

Axioma da Intuição

“Só se pode confiar em um palpite que possa ser explicado.”
MAX GUNTHER
livro: Os axiomas de Zurique

03.08.2007 | 2:17

Introdução à Análise Técnica

Publicado na(s) categoria(s) Análise Técnica, Aprendizado, por Dalton Vieira

Metodologias usadas na hora de investir

A seguir alguns dos métodos usados para se investir no mercado de ações:

1. Análise Técnica – Também conhecida como análise gráfica, é um método de avaliação que consiste em estudar o comportamento dos preços, através dos seus movimentos no decorrer de um determinado período. O analista técnico busca identificar padrões gráficos que se repetem periodicamente, com o objetivo de auxiliar suas negociações no mercado financeiro.

2. Análise Fundamentalista – Este método de avaliação é baseado em estudar a receita líquida, os balanços patrimoniais, o EBITDA (Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization – o lucro antes das despesas financeiras, impostos, depreciação e amortização), bem como o setor de atuação da empresa e a situação econômica do país. O analista fundamentalista busca saber como está a “saúde” da empresa, visando apoiar sua decisão de investimento.

3. “Achismo” (Bola de Cristal) - Geralmente este é o “método de avaliação” mais usado pelas pessoas que começam a investir em ações. Por meio de notícias veiculadas pelos jornais, televisão e outros, o investidor acha que uma determinada ação vai se valorizar e então decide investir nela. Outra forma também muito usada é seguir “dicas” de outras pessoas, como por exemplo: a ação da empresa X vai subir uns 40% até o final do ano.

Investir em uma ação usando o “achismo”, sem nenhum tipo de avaliação (técnica e/ou fundamentalista), é como comprar boi ou avestruz sem saber se os animais existem e se são de boa qualidade. Normalmente esta “metodologia de investimento” não traz bons resultados, fazendo com que o investidor individual desista de aplicar seu capital em ações após um ou outro prejuízo.

Análise Técnica

“A análise técnica é psicologia social aplicada. Seu objetivo é identificar tendências e mudanças no comportamento das multidões, a fim de tomar decisões inteligentes sobre as operações no mercado.”

O que é o Preço?

Cada ação possui um determinado valor (preço). O que é o preço? É o consenso de valor entre compradores e vendedores ao negociar uma ação. O preço da ação sobe se os compradores estão com mais apetite do que os vendedores. O preço da ação cai se os vendedores estão com mais apetite do que os compradores.

Escala Gráfica

Os estudos da análise técnica são realizados por intermédio de gráficos, limitados por um eixo vertical (Y) de preço e outro horizontal (X) de tempo, conforme exibido na figura abaixo.


Escala Logarítmica versus Aritmética do eixo Y (preço)

# Aritmética – mede os movimentos dos preços em termos unitários.

# Logarítmica – mede os movimentos dos preços em termos percentuais.

Estudo de Caso:
Suponhamos que o preço de uma ação suba de $10,00 para $60,00 em um período. O movimento do preço de $10,00 para $20,00 terá a mesma distância vertical de $50,00 para $60,00, ou seja, 10 pontos na escala aritmética. No entanto, na escala logarítmica a distância vertical não será a mesma. Por quê? Porque quando o preço sobe de $10,00 para $20,00 a valorização é de 100% e quando sobe de $50,00 para $60,00 a valorização é de 20%. Portanto, na escala logarítmica a primeira distância será de 100 pontos e a segunda de 20 pontos.

A seguir dois gráficos mensais nas escalas aritmética e logarítmica. Observe a diferença dos gráficos no eixo Y (preço).



Tipos de Gráfico

Há diversos tipos de gráfico representando a escala preço x tempo. Os 03 tipos mais usados são: Barras, Candlesticks e Linha. Veja abaixo a figura ilustrando cada um destes:


Gráfico de Barras

Cada barra é a representação gráfica da oscilação do preço de um determinado ativo, no decorrer de um período (exemplo: dia, semana ou mês). A barra é constituída de 04 preços. São eles: Abertura, Fechamento, Máxima e Mínima. A seguir a definição de uma barra.


Observe que a barra é uma linha vertical contendo um traço lateral esquero e um direito. O traço esquerdo é o preço de abertura e o direito o preço de fechamento. Se o preço de fechamento for superior ao de abertura, então temos uma barra de alta. Se o preço de fechamento for inferior ao de abertura, então temos uma barra de baixa. Os extremos superior e inferior da barra representam a cotação máxima e mínima, respectivamente, de um ativo em um intervalo de tempo. Quanto mais alta for a barra (linha vertical), maior terá sido a oscilação dos preços (diferença entre a máxima e a mínima) no período.

Veja abaixo um exemplo do gráfico diário de barras, muito utilizado pelos analistas técnicos:


Gráfico de Candlesticks

Cada candlestick (candle), conhecido também como vela, é a representação gráfica da oscilação do preço no decorrer de um determinado período (exemplo: dia, semana ou mês). Os preços que compõem um candle são: Abertura, Fechamento, Máxima e Mínima. Veja abaixo a definição de um candle.


Na figura acima o candle com o corpo de cor branca representa alta, sendo o preço de fechamento superior ao de abertura. O candle com o corpo de cor preta representa baixa, sendo o preço de fechamento inferior ao de abertura.

Os candles são amplamente conhecidos pelos analistas técnicos, pois possuem formações que podem representar padrões de reversão ou continuidade de um tendência de alta ou baixa. Veja abaixo um exemplo do gráfico diário de candles.


Gráfico de Linha

É a representação gráfica do preço de fechamento de cada período por intermédio de uma linha. Veja abaixo um exemplo de um gráfico diário de linha.


Periodicidade

Os analistas técnicos usam determinados tempos gráficos para estudar o comportamento dos preços de um ativo financeiro. Exemplos de alguns tempos gráficos: horário, diário, semanal e mensal. Quanto maior o tempo gráfico usado pelo analista, maior tende a ser a duração (prazo) de suas operações (investimentos).


Cada barra ou candle de um gráfico semanal representa a oscilação dos preços no decorrer da semana (segunda a sexta-feira). Neste caso, o preço de abertura é o valor da primeira negociação ocorrida no início da semana, após a abertura do pregão Bovespa. Já o preço de fechamento é a última negociação ocorrida em uma ação no final da semana, antes do encerramento do pregão. A máxima e mínima da seman
a é o maior e o menor valor negociado, respectivamente, de uma ação no decorrer da semana.

Tempos gráficos inferiores a um dia (horário e minutos) são geralmente usados para realizar operações intraday (daytrade), ou seja, compra e venda de uma ação no mesmo dia.

A seguir alguns exemplos de tempos gráficos:

“A consciência do tempo é um sinal de civilização. As pessoas sensatas têm consciência do tempo, ao passo que alguém que age impulsivamente ignora o tempo. Os analistas de mercado que prestam atenção ao tempo estão conscientes de uma dimensão oculta para as multidões.”
ALEXANDER ELDER

Como usar a periodicidade dos gráficos?

A seguir alguns exemplos de estratégias para se trabalhar com a periodicidade dos gráficos.

1. Ao analisar o gráfico diário de uma ação para identificar os possíveis pontos de entrada em uma operação, primeiramente analise o gráfico semanal. Seu objetivo é operar no gráfico diário a favor da tendência e do grupo dominante (compradores ou vendedores) no gráfico semanal.

2. Ao analisar o gráfico semanal de uma ação para identificar os possíveis pontos de entrada em uma operação, primeiramente analise o gráfico mensal. Seu objetivo é operar no gráfico semanal a favor da tendência e do grupo dominante no gráfico mensal.

Quanto maior o tempo gráfico, maior a importância dos padrões (sinais) gráficos.


Persistência
“Nada no mundo pode tirar o lugar da persistência. O talento não; nada é mais comum do que homens fracassados mas talentosos. O gênio não; gênio não reconhecido é quase um provérbio. A educação também não; o mundo está cheio de homens instruídos desamparados. Persistência e determinação são onipotentes. O lema “vá em frente” resolveu e ainda resolverá os problemas da raça humana.”
CALVIN COOLIDGE

Passo anterior: Introdução ao Mercado de Ações

Próximo passo: Princípios Essenciais

25.07.2007 | 22:45

Introdução ao Mercado de Ações

Publicado na(s) categoria(s) Aprendizado, por Dalton Vieira

O que são Ações?

Ações são títulos que representam uma fração do capital de uma empresa. Ao investir em ações você se torna um acionista, ou seja, um co-proprietário da empresa. Você ganha dinheiro investindo em ações quando há a valorização da ação em um determinado período e também através do recebimento de dividendos. Os dividendos são uma parte do lucro líquido da empresa que é distribuído aos seus acionistas.

Por que ao investir em ações você está colaborando diretamente com a economia do país?

Porque é desta forma que as empresas conseguem captar recursos mais baratos para crescer, gerar empregos, pagar mais impostos e consequentemente colaborar para o crescimento econômico do país. Quanto mais desenvolvido for o mercado de capitais no Brasil, mais desenvolvida será a sua economia.

Lei dos Rendimentos
“A sua remuneração se dará na proporção direta do valor que você agregar, de acordo com o mercado.”


Tipos de ação

# Ordinárias (ON) – que concedem direito de voto nas assembleias deliberativas da empresa.

# Preferenciais (PN) – que não concedem direito de voto nas assembleias, mas oferecem preferência no recebimento de dividendos (distribuição de resultados) da empresa.

Formas de negociação

As ações são negociadas em unidades ou lotes. Os lotes de ações podem ser:

# Lote Padrão – é uma quantidade mínima de ações a serem negociadas. Geralmente é um número inteiro múltiplo de 100, 1.000 e assim por diante.

# Fracionário – é uma quantidade inferior ao lote padrão. Exemplo: o lote padrão da Vale R Doce PNA (código: VALE5) é de 100 ações ou múltiplos deste valor. Caso você queira comprar 95 ações da VALE5, número este inferior ao lote padrão, será necessário recorrer ao mercado fracionário, diferenciado pela letra F ao final do código da ação (VALE5F). Caso você compre 160 ações da VALE5, a sua compra será realizada da seguinte forma: 01 lote padrão (VALE5) + 60 ações no fracionário (VALE5F).

Qual a desvantagem de negociar no fracionário?

A desvantagem é que a liquidez é menor, ou seja, a diferença entre o preço de compra e venda (spread) é maior do que a de um lote padrão. Exemplo: No dia 25/07 a VALE5 (lote padrão) estava com ordem de compra a $78,55 e ordem de venda a $78,60, logo com spread de 05 centavos (excelente liquidez). Já a VALE5F (fracionário) estava com ordem de compra a $78,50 e ordem de venda a $79,48, logo com spread de quase 01 real (liquidez bem inferior ao lote padrão). Parece pouco esta diferença? Então observe o exemplo abaixo:

Exemplo:

Você compra 01 lote padrão da VALE5 ao preço de $78,60. O valor financeiro desta transação será de $7.860,00. A título de exemplo vamos calcular esta mesma quantidade de ações (100) no fracionário. Você compraria VALE5F a $79,48 e desembolsaria $7.948,00. O seu custo inicial aumentaria em 1,12%. Observe que esta diferença já representa um valor superior a rentabilidade mensal de um fundo de renda fixa.

Desta forma, dê preferência a negociar um número de ações múltiplo do lote padrão. No caso da VALE5 seria 100, 200, 300, etc.

Liquidez

É o grau de agilidade na conversão de um investimento em dinheiro, sem perda significativa de valor. Um investimento tem maior liquidez, quanto mais fácil for a conversão em dinheiro e quanto menor for a perda de valor envolvida nesta transação.

1. Quanto mais fácil for a conversão em dinheiro – significa que quanto maior for o número de compradores, vendedores e de ações que eles desejam negociar, mais fácil será a conversão destas ações em dinheiro.

2. Quanto menor for a perda de valor envolvida nesta transação – significa que quanto menor for a diferença entre as melhores ofertas de compra e venda (spread), menor será a perda de valor envolvida na negociação.

Explorando mais o item 2, diria que o mais importante é avaliar o que o spread representa em termos percentuais do valor da ação. Como podemos realizar este cálculo? Veja a fórmula abaixo:


Exemplo:

Vamos simular uma compra com o valor das ofertas de compra e venda da VALE5F (fracionário), mencionado no exemplo anterior. VV = $79,48 e VC = $78,50. Usando a fórmula acima temos uma DP de 1,23%. O que este valor significa? Significa que ao comprar VALE5F a $79,48, a transação já está com um deságio de 1,23%, pois para vender a VALE5F a melhor oferta de compra é de $78,50. No entato, se a operação de compra fosse de um lote padrão da VALE5, a DP seria igual a 0,06%.

Portanto, quanto menor a DP, maior é a liquidez de uma determinada ação. Este é um ponto importante a se observar, principalmente em investimentos de curto prazo. Há casos em que a DP chega quase a 10% em ações de baixa liquidez. Nestes casos você já entra na ação “perdendo” 10% do seu capital, imagine se ainda houver uma desvalorização no preço da ação.

Através do gráfico também é possível identificar a liquidez das ações, mas nada melhor do que no momento da negociação.

Corretoras de Valores

São instituições financeiras que intermedeiam suas operações na bolsa de valores.

Veja também: Corretoras membros da Bovespa que possuem Home Broker.

As corretoras são credenciadas pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários), Banco Central e a própria Bovespa.

Formas de envio das ordens

As suas ordens de compra e venda de ações podem ser enviadas para a sua corretora pelo:

# Telefone – um profissional especializado (operador) executará sua ordem através do sistema de negociação da Bolsa;

# Home Broker – sua ordem será enviada diretamente ao sistema de negociação da Bolsa, sem o intermédio de um profissional especializado.

Home Broker

É um sistema fornecido por uma corretora que o habilita a efetuar, através da internet, compra e venda de ações. Veja abaixo o que é necessário para obter acesso a um Home Broker.

# Conta em uma corretora;

# Computador;

# Acesso à internet.

Custos Operacionais

A seguir os custos operacionais ao investir no mercado acionário através de uma corretora:

# Corretagem – É o valor cobrado por uma corretora para executar as ordens de compra ou venda de ações enviadas por você. Este valor pode ser fixo ou calculado por faixas sobre o movimento financeiro total do dia.

## Valor Fixo – Independente do valor do seu investimento é cobrado um valor fixo (exemplo: R$ 20,00) por operação, ou seja, R$ 20,00 no momento da compra e mais R$ 20,00 no momento da venda.

## Valor Calculado – É baseado no movimento financeiro total (valor operado) no dia. Há várias faixas de valores onde é aplicado um percentual e um valor fixo.

Estudo de Caso:

Um corretora X cobra R$ 20,00 fixo sobre cada operação. Em uma determinada faixa de negociação (ex.: de R$ 0,00 a R$ 10.000,00) a corretora Y cobra 0,30% sobre o valor negociado, mais R$ 10,00 fixo . Suponhamos que você investiu R$ 5.000,00 comprando ações de uma determinada empresa.

Na corretora X o custo com a corretagem será de R$ 20,00 representando 0,4% do valor investido. Na corretora Y o custo da corretagem será 0,30% do valor investido (R$ 15,00) mais o valor fixo de R$ 10,00, ou seja, um total de R$ 25,00, representando 0,5% do valor investido. Neste caso é mais interessante optar pela corretora que cobra um valor fixo por operação.


#
Emolumentos – É a taxa operacional cobrada pela Bovespa. Há dois tipos de cobrança:

## Operações normais – A taxa cobrada é de 0,035% do valor da operação.

O que é uma operação normal? É, por exemplo, uma operação de compra efetuada hoje que somente será encerrada (venda) no mínimo 01 dia após a compra.

## Operações daytrade – A taxa cobrada é de 0,025% do valor da operação.

O que é uma operação daytrade? É, por exemplo, uma operação de compra realizada hoje que é encerrada (venda) no mesmo dia da compra.

Custódia

É a taxa cobrada mensalmente por algumas corretoras com o objetivo da manutenção da sua carteira de ações e o recebimento de dividendos.

Sucesso
“O sucesso é o resultado da prática constante de fundamentos e ações vencedoras. Não há nada de milagroso no processo, nem sorte envolvida. Amadores aspiram, profissionais trabalham.”

21.07.2007 | 1:13

Preço de Fechamento

Publicado na(s) categoria(s) Aprendizado, por Dalton Vieira

Por que costumo mencionar o preço de fechamento em minhas análises? As frases abaixo respondem esta pergunta.

“O preço de fechamento das barras diárias ou semanais tendem a refletir as negociações dos investidores profissionais.”

“A principal vantagem do gráfico candelabro* é o foco na luta entre amadores, que controlam a abertura, profissionais, que controlam o fechamento.”

Frases extraídas do excelente livro “Como se transformar em um operador e investidor de sucesso” – ALEXANDER ELDER

Os meus estudos e observações sobre o comportamento dos preços confirmam a afirmação do Elder.

*gráfico candelabro = gráfico de candlesticks

01.07.2007 | 13:16

Por que acompanho o investimento estrangeiro na Bovespa?

Publicado na(s) categoria(s) Aprendizado, Fluxo dos Investidores, por Dalton Vieira

Entenda o motivo pelo qual acompanho e publico diariamente aqui no site a participação dos investidores na Bovespa, focando no capital estrangeiro.

Os estudos que realizei no mês de julho de 2007 foram baseados primeiramente em dados de janeiro de 2005 até junho de 2007. Meu objetivo era determinar a correspondência entre o saldo (compras – vendas) de cada categoria de investidores (pessoa física, institucional, invest. estrangeiro, emp. priv/publ., instituições financeiras e outros) e o Ibovespa. Dentro deste período verifiquei que a correlação entre o saldo (compras – vendas) dos investidores estrangeiros (SIE) na bolsa e o Ibov é forte. O que isto quer dizer? Quer dizer que se o SIE subir ou cair, o Ibov tende a ir na mesma direção.

A partir deste ponto decidi fazer o estudo desde 1995 até 2007 e constatei que a correlação entre o SIE e o Ibov continuou forte. Enfim, independente da porcentagem de participação dos invest. estrangeiros sobre o volume total da Bovespa, “eles” normalmente estão no lado certo, ou seja, alinhados com o Ibov. Por outro lado, a correlação do saldo das pessoas físicas e o Ibov é bem negativa, logo na maioria das vezes estão em sentidos opostos.

Nos últimos dois meses (maio e junho/07) houve uma divergência entre o SIE e o Ibov, ou seja, enquanto o SIE caiu, inclusive ficando negativo no mês de junho, o Ibov subiu (veja a figura do gráfico 2007). O que isto quer dizer? Levando em consideração que esta divergência é pouco frequente, o que tende a acontecer é o SIE subir e o Ibov fazer nova máxima histórica ou o Ibov cair acompanhando o movimento do SIE. Vamos observar o comportamento neste mês (julho/07).

A seguir os gráficos comparativos de 2005, 2006 e 2007.
compar-2005
compar-2006
compar-2007
Obs.: A escala do eixo esquerdo dos gráficos é em R$ Mil.

A minha interpretação para os estudos realizados é dar preferência para operações (trades) no sentido do movimento do SIE, apoiada pela análise gráfica do Ibov e das ações. Desta forma, acompanharei de perto a participação dos investidores no volume total da Bovespa. Esta informação está disponível no site da Bovespa com dois dias de defasagem (não sei qual o motivo desta defasagem!).

24.06.2007 | 16:37

Os sete pecados capitais nos investimentos

Publicado na(s) categoria(s) Aprendizado, por Dalton Vieira

Investimentos: Os Segredos de George Soros & Warren Buffett

MARK TIER

“O que você pode realmente aprender com os investidores mais bem-sucedidos do mundo.”

Inverdades prejudiciais sobre como alcançar o sucesso nos investimentos

Será que você comente algum destes pecados na hora investir ou concorda todos são “pecados capitais” na hora de investir? E por quê?

1. Acreditar que você precisa prever o próximo passo do mercado para obter um excelente retorno;

2. Acreditar em “guru”: se eu não capaz de prever o mercado, há alguém em algum lugar capaz disso. Tudo o que preciso fazer é encontrar essa pessoa;

3. Acreditar que é preciso por meio de “Informações privilegiadas” que se consegue ganhar muito dinheiro;

4. Diversificar;

5. Acreditar que é necessário assumir riscos muito altos para obter gandres lucros;

6. Acreditar no “sistema”: alguém, em algum lugar, desenvolveu um sistema – uma fórmula secreta que combina análises técnicas e fundamentais, negociações computadorizadas, triângulos de Gann e, quem sabe, astrologia – que garante a obtenção de lucros nos investimentos;

7. Acreditar que você sabe o que trará o futuro – e ter certeza de que o mercado “inevitavelmente” irá provar que você está certo.

Você concorda que os itens acima são pecados capitais nos investimentos? Eu particularmente compartilho dessa opinião. Por exemplo: eu já acreditei em um determinado “guru” do mercado e em suas fórmulas mágicas de se fazer dinheiro. Depois de um certo período percebi que suas fórmulas mágicas não resultavam em ganhos consistentes no mercado financeiro, pelo contrário era um verdadeiro “perde e ganha”, para a maioria o saldo final era negativo. O mais interessante é que as fórmulas mágicas mudavam constantemente. Por que mudavam tanto assim se eram fórmulas “vencedoras”? Foram perguntas iguais a esta que me fizeram a tomar certas atitudes como a de abandonar o “guru” e suas metodologias.

A partir deste aprendizado, percebi que a “fórmula mágica” está dentro de cada um de nós, por meio da dedicação e perseverança. Penso da seguinte forma: se alguém é capaz de ser bem-sucedido no mercado financeiro, eu também sou. O que busco extrair destas pessoas bem-sucedidas em suas áreas de atuação, como George Soros e Warren Buffett, é a forma como elas pensam, ou seja, qual é o modelo de dinheiro deles?

Enfim, acredito que o segredo para não cometer os pecados capitais supracitados é estudar bastante o assunto, realizar estudos estatísticos, obter informações que o ajudem na hora de decidir e trabalhar com as probabilidades.

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