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Carlos Debastiani

21.05.2010 | 19:29

Ibovespa perde importante suporte

Publicado na(s) categoria(s) Análises, Carlos Debastiani, Ibovespa, por Aluno

Nesta última quarta-feira (19/05/2010) o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, perdeu um importante suporte, na região dos 60.000 pontos.

O fato é muito significativo, pois ocorre em convergência com diversos outros fatores que apontam para o crescente pessimismo dos investidores em relação ao mercado.
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06.04.2009 | 15:00

Não há caos, há volatilidade

Publicado na(s) categoria(s) Aprendizado, Carlos Debastiani, por Aluno

A seguir mais um artigo do Carlos Alberto Debastiani enviada ao blog.

O que vejo estampado no rosto das pessoas, com frequência, quando o assunto é investimentos em ações, é uma resistente e aterradora expressão de perplexidade. A maioria delas está temerosa e pessimista diante daquilo que acreditam ser o caos completo. Desoladas com o comportamento do mercado de capitais a partir do agravamento da crise financeira internacional (no decorrer do segundo semestre de 2008), juram que nunca mais irão colocar um só centavo na bolsa de valores.

No entanto, se olharmos com mais atenção para os gráficos dos principais papéis da Bovespa, nos últimos meses, o que veremos não é caos, é apenas volatilidade. Devemos entender a volatilidade como uma condição de mercado na qual uma boa parte dos investidores opera sob a pressão de mudanças bruscas e antagônicas de expectativa, ora baseadas em fatores externos, ora forçada por seu próprio descontrole. Adicione a esse contexto o apimentado tempero da completa falta de consenso sobre o rumo futuro da economia e teremos o cenário atual, onde vemos papéis que apresentam até dois dígitos de oscilação em um único pregão.

Quando afirmo que não existe caos, tomando por base as técnicas mais conhecidas de análise gráfica, quero dizer que se ele realmente tivesse se instalado no mercado, tais técnicas não funcionariam mais, pois as bases nas quais elas se fundamentam teriam perdido sua validade.

No entanto, podemos ver que todas as ferramentas de análise técnica, seja em sua vertente estatística ou empírica, continuam sendo efetivas. Não tenho encontrado nelas, nenhuma indicação de que possam falhar mais agora. Aquilo que sempre funcionou (dentro do que se considera “funcionar”, em estatística) ainda oferece o mesmo nível de resultado que oferecia antes da crise. Dessa efetividade temos inúmeros exemplos, nas mais diversas ferramentas.

Se essa é a situação, apenas nos cabe continuar a fazer o que sempre fizemos: analisar o comportamento do mercado (que continua a ser repetitivo e, portanto, razoavelmente previsível, apesar da volatilidade) para nos posicionarmos a favor dele. Talvez o que nos falta seja apenas “calibrar” nossas ferramentas de análise para operar em trades mais curtos, pois as tendências de agora se mostram bem mais curtas do que eram antes, em função da falta de consenso.

Ao contrário do que muitos imaginam, a volatilidade pode representar um momento de oportunidade, na medida em que proporciona a possibilidade de lucros rápidos. Nesse cenário volátil conseguimos ver, a cada mês, oportunidades de ganho mais elevado que antes apareciam uma ou duas vezes ao ano.

As possibilidades de ganho parecem escassas apenas para os investidores com perfil de longo prazo, que não se valem das oscilações de mercado para operar e que, em função delas, não conseguem ver seus papéis com valorização constante, como ocorria antes da crise de 2008. No entanto, até mesmo investidores com esse perfil podem se valer da volatilidade para ampliar sua carteira, aproveitando os frequentes momentos de baixa para sair às compras, já que a maioria dos papéis pode ser adquirida a preços muito baixos, pelo menos uma vez a cada mês.

Carlos Alberto Debastiani é empresário, investidor e autor dos livros “Candlestick“, “Análise Técnica de Ações” e “Avaliando Empresas, Investindo em Ações“.

29.01.2009 | 0:12

Faixa de negociação: risco ou oportunidade?

Publicado na(s) categoria(s) Aprendizado, Carlos Debastiani, por Aluno

A crise que se instalou na Bolsa de Valores de São Paulo à partir da segunda metade de 2008, e que colocou em polvorosa a grande maioria dos investidores, parece ter encontrado seu termo. Se ainda não temos altos índices de valorização e uma nova tendência de alta vigorosa e determinada (como vimos nos últimos anos), ao menos podemos observar, aliviados, que a tendência de baixa já encontrou seu nível de esgotamento (pelo menos por enquanto).

Em muitos papéis, a violenta queda que desenhava longas barras nos gráficos e verticalizava a inclinação de suas linhas de tendência, já cede lugar a uma formação bem mais horizontalizada. Boa parte das blue chips já apresenta gráficos com movimentos laterais e oscilações de certa magnitude, que demonstram não haver grande disposição para baixa, embora a desconfiança dos investidores e a fragilidade globalizada do cenário internacional ainda não possibilitem a retomada dos negócios (que certamente virá, num futuro não muito distante).

Esse tipo de movimento lateral é bastante comum após períodos de fortes quedas. Me lembro que, durante o mês de Outubro, numa reunião em família, me perguntavam o que eu achava que aconteceria com a bolsa de valores nos próximos meses. Minha previsão foi de que os preços cairiam até atingir os patamares necessários para expulsar todos os investidores comprados que não mais acreditavam no mercado. Uma vez estancada a queda provocada pelo alto volume de vendas, haveria um momento de recomposição, talvez longo, no qual o mercado iniciaria uma reavaliação do cenário e do preço justo a ser pago por cada ação. Esse momento de recomposição seria marcado por movimentos laterais e oscilações de preços, típicos de um mercado indeciso e controverso.

Os gráficos de diversos papéis têm desenhado, nos últimos meses, uma formação que chamamos de faixa de negociação. Alguns analistas a chamam de zona de congestão ou acumulação, mas eu prefiro distinguir a faixa de negociação de uma congestão ou acumulação, por entender que possuem características gráficas diferenciadas.

Numa zona de congestão ou acumulação temos baixa volatilidade e barras quase paralelas nos gráficos (é o típico “andar de lado”). Essa situação é extremamente perigosa para operar, já que não há indícios seguros sobre a vitalidade da pressão de compra ou de venda (que estão totalmente equilibradas) e muito menos sobre qual caminho os preços irão tomar depois que deixarem a região de acumulação.

Nas faixas de negociação, a volatilidade é bem maior e, dependendo de sua extensão, podem dar origem a tendências de curto prazo que permitem até obter lucro negociando com os papéis (se o perfil do investidor for de curto prazo). A faixa de negociação tem linhas visíveis de suporte e resistência e podem oscilar entre ambos por um bom tempo. Da mesma forma como ocorre com a zona de congestão, não sabemos se a faixa de negociação vai originar uma tendência de alta ou de baixa após seu término mas, enquanto isso não acontece, quem estiver disposto a correr algum risco, poderá ganhar dinheiro operando dentro dela, comprando na região de suporte e vendendo na região de resistência.

Determinar esses limites e o momento certo para operar não é tarefa fácil, nem precisa, mas existem ferramentas que permitem identificar tais pontos com relativa margem de acerto. Obviamente, a oportunidade criada pela faixa de negociação não está dissociada de certo grau de risco.

Em meu livro Análise Técnica de Ações, eu traço algumas estratégias envolvendo indicadores técnicos que costumam se comportar muito bem quando aplicados à faixas de negociação, indicando os pontos possíveis de reversão junto a suportes e resistências, particularmente o Estocástico e as Bandas de Bollinger. O indicador OBV, por sua vez, oferece um outro recurso: uma idéia aproximada sobre qual tendência o papel deverá tomar no futuro. Um acréscimo significativo no OBV indica entrada de grande volume de capital e, portanto, existência de pressão de compra, favorável à valorização do papel. De forma análoga, uma queda do OBV teria efeito indicativo contrário, já que a saída de capital forte ensejaria pressão de venda.

Vamos olhar para o gráfico de uma das principais ações do Ibovespa, a VALE5, para avaliar a extensão e a potencialidade de uma dessas faixas de negociação (abaixo).

Clique na imagem abaixo para ampliar


Note quantos topos e fundos se formaram durante os 4 meses em que o papel se encontra nessa faixa de negociação, cujos preços oscilam entre R$ 20,00 e R$ 30,00. Aliás, essa é uma peculiaridade que torna essa faixa de negociação muito interessante. Se tomarmos por base o fundo e o topo mais extremo da formação, computaremos uma lucratividade de quase 50%. Sob o ponto de vista da análise técnica, alguns fatores pesam a favor de um futuro movimento de alta:

  • A existência de fundos cada vez mais altos no decorrer do tempo.
  • A ruptura superior de um triângulo com um gap de corte, no início de Dezembro. Repare como a parede rompida do triângulo foi testada 3 dias depois. Ali formou-se uma região de suporte intermediário, que foi confirmada em 26 de Dezembro por um padrão de candles de dupla configuração (é “Harami de Fundo” e “Pinças de Fundo”, ao mesmo tempo).
  • O comportamento do OBV, que vem apresentando crescimento ao longo do tempo e formou um canal de alta. Repare que os preços que compõem o topo existente no início de Novembro/2008 são os mesmos praticados no final de Janeiro/2009, mas o OBV já está muito acima.
Vivemos um momento de hesitação no mercado brasileiro de ações. Não temos mais a pungente tendência de alta com a qual nos acostumamos no decorrer desta última década. Contudo, não adianta reclamar, é preciso encontrar soluções e novas estratégias para continuar extraindo do mercado aquilo que ele pode nos dar. Operar com objetivo de curto prazo pode ser uma delas. Acredito que muitas das faixas de negociação que estão se formando nesses últimos meses podem perdurar ainda por um bom tempo. Se analisarmos sua extensão e identificarmos ao menos um potencial mínimo de lucro, talvez possamos explorá-las.

Carlos Alberto Debastiani é empresário, investidor e autor dos livros “Candlestick“, “Análise Técnica de Ações” e “Avaliando Empresas, Investindo em Ações“.