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Elvis Pfützenreuter

06.04.2009 | 19:00

Venda coberta como laboratório

Publicado na(s) categoria(s) Aprendizado, Elvis Pfützenreuter, Opção, por epx

Olá amigos e investidores,

A seguir mais um artigo do Elvis Pfützenreuter sobre investimento em opções.

Mencionamos brevemente no post anterior sobre opções, que venda coberta de opções tem diversas vantagens, entre elas a de servir como trampolim e laboratório para operações mais complexas. Usando uma venda coberta prévia, podemos operar de forma mais arrojada, mas ainda com segurança, e ainda ganhando algum dinheiro.

A forma básica de venda coberta é: comprar ou possuir ações, e lançar (vender a descoberto) o mesmo número de opções. O lançador coberto típico vai estar sempre “vendido” nas opções do próximo vencimento. Quando elas vencem e expiram, ele vende opções do vencimento seguinte. Exemplo de operação:

18/03/2009
+1000 VALE5
-1000 VALED28

No dia 18/3 esta operação fazia sentido porque VALE5 estava em torno de R$ 27. Se fôssemos montá-la hoje, com VALE5 acima de R$ 28, talvez fosse melhor vender VALED30, ou VALEE30. Mas isto não vem ao caso agora.

A primeira variação que o operador pode tentar em cima desta base, é recomprar oportunisticamente as opções numa queda de preço. Isto serve para embolsar definitivamente o lucro, e abre oportunidade para um novo lançamento de opções se os preços se recuperarem. No caso da operação-exemplo acima, os dias 31/3 e 1/4 foram oportunidades para fazer isso.

Desta forma, o operador que domina a análise técnica de ações pode utilizar este conhecimento para alavancar seu ganho na venda coberta. “Ok”, perguntará alguém, “então porque não comprar opções a seco com base em análise técnica?”

Porque, para ganhar dinheiro comprando opções, não basta estar certo ao longo do tempo. É preciso estar certo o tempo todo. Se a análise técnica ou fundamentalista aponta (corretamente) que determinada ação vai subir, mas justamente no dia do vencimento da opção ela cair, quem comprou opções perde tudo. Não há margem alguma para erro.

Já o vendedor coberto tem margem de manobra. Se ele recomprar as opções e depois ficar claro que isto foi um erro, ele não perdeu, apenas deixou de ganhar; e pode ficar esperando calmamente a próxima oportunidade. Já quem comprou opções a seco não vai poder nem ir ao banheiro, com medo que um movimento brusco do mercado leve todo o seu dinheiro embora.

Pode-se então tentar operações mais elaboradas. Por exemplo, “rolar” a venda coberta para um vencimento mais distante:

+1000 VALED28
-1000 VALEE30

Considerando a rolagem isoladamente, temos um “time spread“, uma operação razoavelmente sofisticada que aposta na diminuição da volatilidade futura. Naturalmente, como já havia uma venda coberta antes, o saldo final é apenas outra venda coberta.

Podemos (e devemos) conceber e calcular as operações de rolagem como se fossem spreads de pleno direito, cujo risco é muito alto quando feitos sem a “rede de segurança” da venda coberta. Se o operador for bem-sucedido nestas rolagens, pode muito bem passar a fazer apenas spreads.

Se o preço da ação cair, pode-se fazer rolagem para baixo dentro do mesmo mês, o que equivale a um “credit call spread“:

+1000 VALED28
-1000 VALED26

Pode-se também rolar para cima quando o preço sobe como forma de diminuir o prejuízo, o que equivale a um “debit call spread“:

+1000 VALED28
-1000 VALED30

Meu nome é Elvis Pfützenreuter, sou pesquisador na área de ciência da computação. Também tenho grande interesse em finanças, tanto para fins de investimento pessoal como por curiosidade científica. Recentemente, escrevi um livro (ao lado) a respeito de opções, que talvez interesse a investidores que desejem conhecer melhor estes ativos.

16.03.2009 | 18:53

Venda coberta de opções

Publicado na(s) categoria(s) Aprendizado, Elvis Pfützenreuter, Opção, por epx

Olá amigos e investidores,

A seguir mais um artigo do Elvis Pfützenreuter sobre investimento em opções.

A venda coberta de opções consiste em lançar (vender a descoberto) algumas opções, enquanto se possui o ativo subjacente em igual número. Exemplo: se eu possuo 1000 ações VALE5, posso lançar 1000 opções de compra VALE*** — por exemplo, VALED30 — não importa o valor de exercício (strike) ou o mês de vencimento.

Lançar opções de venda é um pouco mais complicado, pois neste caso o “lastro” da operação teria de ser uma venda a descoberto de ações. Para o investidor amador, acabaria sendo mais fácil oferecer uma garantia em dinheiro. Como o mercado de opções de venda ainda é muito pequeno no Brasil, vamos ignorar a venda de opções de venda. Por enquanto.

Cabe aqui um esclarecimento. Lançar opções é, de certa forma, vendê-las a descoberto, já que o investidor está vendendo algo que não possui. Porém, isto é diferente de vender ações a descoberto. Para vender ações a descoberto, é preciso alugar as ações de outro alguém que as possua — o que a corretora providencia automaticamente. A questão é que a quantidade total de ações no mercado continua sendo a mesma. Já no caso das opções, a venda a descoberto cria um papel novo, e a quantidade de opções no mercado aumenta, por isso dizemos que a opção foi “lançada”.

Minha operação predileta com opções é a venda coberta de opções de compra. Apesar da infinita variedade de operações à disposição do investidor, acabo sempre ficando com a venda coberta, e vou dar meus motivos:

1) Preguiça. A venda coberta é fácil e não exige muita dedicação. Mesmo que eu não possa acompanhar minha carteira por um tempo, não corro riscos ilimitados, como seria o caso numa venda descoberta.

2) Certeza do desfecho. A operação só tem dois desfechos possíveis. Ou a ação sobe acima do valor de exercício (Strike) e eu sou exercido, ou não. O dinheiro arrecadado com a venda das opções nunca mais sai do meu bolso.

3) Gosto da relação risco/retorno desta operação. Isto já é uma opinião totalmente pessoal, outros investidores certamente consideram seu retorno muito pequeno.

4) Facilidade e baixo custo de implementação. Minha corretora permite fazer venda coberta através do home broker, enquanto uma trava de baixa já teria de ser feita por telefone, ou através do home broker “avançado” que custa uma mensalidade muito mais cara.

5) Baixo custo de corretagem: paga-se corretagem uma vez para lançar as opções, e talvez mais uma vez se elas forem exercidas, ou a operação for desmontada. Operações mais complexas custam muito mais em corretagem, o que come uma parte importante do lucro quando o investidor ainda não é milionário.

6) Tira proveito do fato que vender opções dá mais dinheiro ao longo do tempo do que comprá-las, da mesma forma que uma seguradora é em geral lucrativa. Na medida em que mais e mais investidores lancem opções, isto pode deixar de ser verdade; veremos depois qual o critério para saber se a operação vale a pena.

7) Funciona como “laboratório” para aprender-se a operar com opções, e mesmo para tentar operações um pouco mais arrojadas. Isto será objeto de um próximo artigo.

Naturalmente, a venda coberta tem suas desvantagens.

1) Exige mais capital que outras operações com opções. Isto é resultado natural do baixo risco e baixo retorno. Para se fazer uma venda coberta, é preciso possuir no mínimo um lote de ações cujas opções tenham mercado líquido (Vale, Petrobrás ou Telemar). E, com apenas um lote, o custo de corretagem acaba comendo uma parte considerável do lucro.

2) Pode matar o investidor de tédio, pois normalmente operará apenas uma vez por mês.

3) A carteira de ações do investidor fica limitada a poucos papéis (Vale, Petrobrás e Telemar). Se o investidor prefere diversificar em um grande número de ações, terá pouco ou nenhum lastro para a venda coberta (mas poderia então pensar em lançar opções sobre o IBOVESPA).

Também não é toda e qualquer opção que vale a pena vender. A regra geral é: as opções com vencimento mais próximo, e mais ATM (at-the-money, ou seja, com valor garantido mais próximo do valor da ação subjacente) são as candidatas naturais a serem vendidas. São estas as opções mais “caras”, cujo valor extrínseco é o maior possível. No caso da ação VALE5, que neste momento (16 de março) custa aproximadamente R$ 27,00, a opção mais “apetitosa” para lançamento é a VALED28, que vence em 20 de abril e tem strike (valor garantido) de R$ 28,00. A propósito, esta opção está sendo vendida a R$ 1,58.

Meu critério particular para saber se vale a pena lançar uma opção, tem a ver com a taxa de juros. Embora a taxa de juros represente uma pequena parte do valor teórico da opção, ela tem importância muito maior para esta operação.

Usando ainda a VALE5 e a VALED28 como cobaias, o lucro com o lançamento da opção seria de 1,58 / 27,00 = 5,8% ao mês. Nada mau, considerando que a taxa-base de juros está próxima de 1% ao mês. Mas é prudente lembrar que este retorno é a recompensa que o investidor recebe por abrir mão dos lucros caso VALE5 suba além de R$ 28,00, além de correr o risco de uma queda brusca de VALE5.

Se o investidor desconfia que a VALE5 vai dar um salto em breve, poderia vender VALED30 ao invés de VALED28, diminuindo as chances de ser exercido e ainda percebendo um retorno de R$ 0,84 (3,1% ao mês).

Neste mês a decisão de vender coberto é fácil, porque a volatilidade está na estratosfera, o que aumenta o valor das opções. A decisão começa a ficar mais difícil quando o retorno sobre o investimento começa a ficar em 2%, 1,5%, cada vez mais próximo de uma aplicação em renda fixa (que não oferece risco algum). Foi o caso em meados do ano passado, quando a Bolsa ainda estava lá no alto.

Conforme as coisas se acalmarem na economia mundial, e/ou mais gente passar a vender opções, a tendência natural é a volatilidade cair, o que torna a venda coberta menos interessante frente à renda fixa. Assim, o investidor deve comparar o retorno potencial com a taxa de juros a cada nova operação, e pesar bem se o retorno compensa os riscos.

Meu nome é Elvis Pfützenreuter, sou pesquisador na área de ciência da computação. Também tenho grande interesse em finanças, tanto para fins de investimento pessoal como por curiosidade científica. Recentemente, escrevi um livro (ao lado) a respeito de opções, que talvez interesse a investidores que desejem conhecer melhor estes ativos.

Nota:
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27.02.2009 | 23:37

De onde vem o valor de uma opção

Publicado na(s) categoria(s) Aprendizado, Elvis Pfützenreuter, Opção, por epx

Olá amigos e investidores,

A seguir um excelente artigo gentilmente enviado ao blog por Elvis Pfützenreuter, autor do livro Investindo no Mercado de Opções. Muito obrigado Elvis!

No dia 18 de fevereiro a ação preferencial da Vale (VALE5) fechou cotada em R$ 29,61. Já a opção de compra VALEC30, que dá o direito de comprar VALE5 a R$ 30,00 até o dia 16 de março, fechou o dia cotada a R$ 1,72.

Podemos afirmar que, neste momento, a opção VALEC30 não vale “nada” — já que podemos comprar VALE5 no mercado a R$ 29,61, para que pagar R$ 30,00? No entanto, o preço da opção é R$ 1,72. Assumindo que os compradores saibam o que estão fazendo, como podemos fundamentar este valor?

O valor de uma opção provém de três fontes: o valor intrínseco, do prazo até o vencimento, e da taxa de juros.

O mais fácil de entender é o valor intrínseco, que é o quanto a opção “realmente” vale, segundo uma análise inicial. A opção VALEC30 supracitada não tem nenhum valor intrínseco, pois não adianta nada exercer o direito que ela nos dá (comprar VALE5 a R$ 30,00).

Por outro lado, tomemos a opção VALEC28, que vence no mesmo dia porém dá o direito de comprar VALE5 a R$ 28,00. Esta já é mais interessante e tem valor intrínseco de R$ 1,61, que é a diferença entre R$ 28,00 e R$ 29,61.

A opção VALEC28 fechou cotada a R$ 2,84. Deste valor, R$ 1,61 corresponde ao valor intrínseco, e o resto (R$ 1,23) deve-se ao tempo e à taxa de juros. Esse resto é denominado valor extrínseco. Assim, o valor extrínseco divide-se entre tempo e juros.

O valor do tempo é análogo ao prêmio pago por um seguro de automóvel. A equação básica de um seguro qualquer é: risco X tempo. Quanto maior o risco do sinistro e/ou quanto maior o tempo de cobertura do seguro, mais caro ele vai ser.

No caso de um seguro normal, o prêmio costuma variar linearmente com o tempo. Já o prêmio de uma opção aumenta proporcionalmente à raiz quadrada do tempo. Isto acontece porque a ação subjacente (no caso, VALE5) pode recuperar-se após uma grande queda (ou cair muito depois de subir), enquanto um carro capotado ou uma casa incendiada nunca vão retornar ao seu estado original espontaneamente.

O “risco” de uma opção é geralmente baseado na volatilidade da ação subjacente. Volatilidade é a variação nos ganhos que a ação proporciona, e esta variação é geralmente aceita como medida de risco (pelo menos enquanto não inventarem outra métrica melhor).

Bem, a terceira e última parte do valor de uma opção deve-se à taxa de juros. Como a opção de compra nos garante um preço fixo no futuro (R$ 30,00 para VALEC30), e como não existe
almoço grátis, o valor da opção embute juros sobre estes R$ 30,00 de hoje até o vencimento em 16 de março.

Considerando, grosseiramente, a taxa-base de juros de 12% ao ano e o prazo até o vencimento de um mês, os R$ 30,00 em março valem apenas R$ 29,70 hoje — o que coloca a opção 30 centavos mais próxima de ter algum valor intrínseco.

Usando uma calculadora Black e Scholes como esta, podemos descobrir por tentativa-e-erro que os juros de VALEC30 correspondem a R$ 0,11 do valor da opção.

É importante mencionar que os juros aumentam o valor de uma opção de compra — o que significa que o comprador paga os juros. Mas os juros *diminuem* o valor de uma opção de venda — ou seja, nestas últimas é o vendedor quem paga os juros. Assim:

  • Valor da opção de compra = intrínseco + tempo + juros
  • Valor da opção de venda = intrínseco + tempo – juros

Isto é congruente com o fato dos seguros de automóveis (análogos a opções de venda) ficarem mais baratos conforme sobe a taxa de juros. O motivo é que a seguradora pode aplicar o dinheiro do prêmio e extrair um lucro extra dele.

No próximo artigo, falarei um pouco sobre venda coberta de opções de compra, minha estratégia predileta, que ensejará mais algumas considerações sobre taxa de juros.

Meu nome é Elvis Pfützenreuter, sou pesquisador na área de ciência da computação. Também tenho grande interesse em finanças, tanto para fins de investimento pessoal como por curiosidade científica. Recentemente, escrevi um livro (ao lado) a respeito de opções, que talvez interesse a investidores que desejem conhecer melhor estes ativos.

Nota:
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