Transcrevo abaixo a leitura da queda do Ibovespa neste momento de crise, feita por um investidor do mercado e leitor do blog. Muito obrigado Fernando por compartilhar conosco sua análise e com isso enriquecer o conteúdo do site. Parabéns!
Por: Fernando Maiola
O movimento de baixa do Ibovespa iniciado em maio deste ano é um movimento de correção natural e saudável para a bolsa após as altas exponenciais dos últimos anos. Porém o que tem causado espanto e medo nos investidores é a sucessão de quedas diárias históricas durante outubro, que têm inclusive batido recordes de utilização do mecanismo de Circuit Breaker na Bovespa.
A origem do problema é a crise das hipotecas subprimes nos EUA, mas esses recentes exageros têm como base as sucessivas notícias negativas sobre a economia mundial, em especial a quebra de grandes bancos americanos. A conseqüência de toda essa crise seria uma forte recessão mundial, devido à escassez de crédito, e com isso a demanda por produtos das empresas listadas nas bolsas de valores deve cair drasticamente.
Para falar especificamente das quedas do Ibovespa em outubro, independente da análise técnica, pensemos nos fundamentos. NADA se sabe sobre o futuro, porém a queda acentuada tem como base a precificação da suposta recessão que está por vir. Ou seja, a Petrobrás continua tendo a mesma capacidade de produçao, e, o que querem os investidores, a mesma capacidade de gerar lucros. PORÉM.. na crise, não se está de olho na CAPACIDADE de gerar lucro, e sim na geração EFETIVA. Para gerar lucro, ela não deve ser simplesmente uma empresa exemplar e bem administrada, com fundamentos: ela precisa ter DEMANDA, ou seja, alguém precisa querer comprar o que ela vende.
Fora a questão dos preços do que ela vende e seus custos de produção: a Petrobrás pode produzir a mesma quantidade, mas pela falta de demanda os preços estão quase a metade do que estavam há algumas semanas. Ou seja, a empresa ainda pode vender a mesma quantidade de petróleo, tem a mesma capacidade que antes, PORÉM isso representa um lucro absurdamente menor. Por enquanto não se sabe precificar exatamente isso tudo, mas se sabe que em alguns meses não se chegará no mesmo patamar anterior.
Outra questão que contribui muito para a queda da bolsa é a parte “prática”. A Bovespa é dominada pelos investidores estrangeiros, eles é que determinam basicamente pra onde vai a nossa bolsa. Ou seja, se eles assumem a ponta vendedora, tirando o capital daqui, o IBOV cai.
A conseqüência da crise NOS OUTROS PAÍSES é fazer com que os investidores nesses mercados tenham que cobrir esses rombos, acabando com a alavancagem e injetando capital para não ficarem devendo. Assim, de onde vão tirar dinheiro “vivo” pra cobrir os rombos nos países de origem? De mercados e ativos onde eles têm liquidez, como a Bovespa, através de PETR e VALE, principalmente.
Assim, não há medo, pânico, euforia ou fundamentos que precifiquem a bolsa paulista: o que existe é uma saída forçada de capital, uma venda desenfreada de ativos por parte de quem mais investe nela. E, como se sabe, a maior e mais forte ponta é quem determina se um índice sobe ou desce. Logo, não se poderia esperar movimento do Ibovespa diferente do que foi visto.
Um abraço,
Fernando Maiola