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14.10.2009 | 12:17

Dow Jones – Desdobramentos da crise de 1929

Publicado na(s) categoria(s) Análises, Artigos, Fluxo dos Investidores, por Dalton Vieira

Há alguns dias publiquei a participação dos investidores na Bovespa referente ao dia 5 de outubro. Nesta publicação mencionei que a minha expectativa era do IBOV bater nos 65 mil pontos antes de uma correção mais forte. Hoje, 14, o índice está justamente entre os 65 e 66 mil pontos – região de resistência mais forte.

Recebi em seguida dois ótimos comentários do leitor e investidor Paulo Cesar Barbosa, destacados abaixo.

“também acho que vamos aos 65-66.000 pontos antes da correção de -20 % .já preparei os stops.baseado nas ondas de elliott ,estamos na onda 5 da onda primaria de impulso B( que iniciou em 10/2008).depois da onda B aparece a onda primaria de queda C.acredito que a onda C vai durar 2 a 3 anos de queda.depois disso em 2011 ou 2012 vamos iniciar um novo ciclo de longo prazo de alta,onde o ibovespa vai finalmente romper o ultimo th(73.800 ).”

“o sistema capitalista é marcado por periodos de ciclos de alta e baixa( onde temos as crises-como a atual crise).o ultimo ciclo de alta começou em 10/2002 até 05/2008( com 5 ondas primarias de alta).a correção do ciclo de alta começou em 05/2008 até 10/2008 com a onda de baixa A.estamos agora na onda primaria de impulso B( iniciada em 10/2008).depois teremos a ultima onda de queda , a primaria C( acredito que dure alguns anos).após essa correção em A,B e C iniciaremos um novo ciclo de longo prazo de alta.vou tentar ganhar dinheiro nesse cenario de instabilidade usando opções( apostando na baixa) ou comprando açoes a preço barato após as quedas( que serão muitas).assim vou ganhando dinheiro e fazendo uma poupança a espera do inicio do novo ciclo de alta.”

Comentei que se o excelente estudo técnico, realizado pelo Paulo, estiver “certo”, teríamos diversos gaps de alta sendo fechados em várias ações. A PETR4 mesmo tem um em 17,22. Será que fecha um dia? Difícil dizer, mas decidi fazer um estudo relacionado ao desdobramento da crise de 1929 através do gráfico semanal do Dow Jones, conforme pode ser observado nas imagens a seguir.
Dow Jones - Desdobramento da crise de 1929
Na figura acima podemos observar que o DJI teve uma boa recuperação após a crise de 1929, mas que em seguida voltou a cair durante dois anos até encontrar o fundo do poço em meados de 1932. O momento atual de recuperação é algo bem parecido ao ocorrido após 1929, conforme pode ser visto na imagem abaixo.
Dow Jones - Recuperação atual
Será que teremos algo parecido após esta boa recuperação? Queda durante dois anos, confirmando o estudo realizado pelo Paulo Cesar? A minha expectativa é de uma correção em torno de 20% no curto prazo. Por enquanto, não consigo ver o IBOV novamente buscando patamares inferiores a 50 mil pontos.

De qualquer forma, vamos continuar acompanhando de perto para ver até onde vai a recuperação dos índices DJI e IBOV. O importante, no meu ponto de vista, é ter um planejamento para a continuidade da tendência de alta e outro para uma intensa queda de curto a médio prazo.

9 Comentários

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  1. Fernando Maiola disse:

    Olá!

    Ótimos texto e estudos, parabéns Dalton e Paulo!
    Também acredito numa correção no curto prazo, todavia acho improvável que a história pós-1929 se repita. Isso porque o mundo está muito mais rápido atualmente, as economias estão mais globalizadas e diversificadas, e assim o processo de recuperação das economias mundiais já se iniciou.
    Quanto a uma atual supervalorização dos ativos em bolsas de valores, pode até estar ocorrendo, mas seria uma questão de curto prazo que se ajustaria em questão de poucos anos, talvez de forma lateral.
    Grande Abraço

  2. Érica Porfírio disse:

    Oi Dalton,

    Existe uma teoria dos ciclos comerciais na economia que se encaixa perfeitamente nesta sua análise.

    Existem 3 ciclos comerciais identificados por um economista americano chamando Shumpeter. O primeiro é o ciclo de Kitchin que ocorre em intervalos de + ou – 40 meses (3 em 3 anos). Este é explicado pela estocagem em excesso realizada pelas empresas para se previnerem caso as vendas se elevem, porém na medida em que o crescimento diminui as empresas reduzem sua produção para evitar grandes estoques não vendidos. Quando a estocagem se reinicia, o ciclo recomeça.

    O segundo ciclo é conhecido como ciclo de Juglar, este dura de 9 a 10 anos é o considerado o mais importante entre os 3 ciclos. Ele começa quando as empresas iniciam sua expansão, investindo capital e modernizando-se (o que dura mais ou menos uns 5 anos). Em seguida a expansão ou investimento se reduz, até o maquinário se desgastar e precisar de ser subsituido, recomeçando o ciclo.

    O legal é que se pensarmos em 1939 – ano que é considerado, por alguns economistas, o início da recuperação da grande depressão ocorrida após 29 – como o ano base (0), em 2009 estamos exatamente 70 anos depois, o que se encaixa perfeitamente no ciclo de 10 em 10 anos. Isto é, um novo ciclo se inicia dando início a recuperação da crise ocorrida no final do último ciclo (1998-2008).

    Já o terceiro ciclo comercial, ciclo de Kondraiteff possui duração de 50 a 60 anos é a causado pelo avanço da tecnologia comercial.

    Incrivelmente estes ciclos acomodam eventos como: Primeira Guerra Mundial – Revolução Russa – Quebra de Wall Street (1929) seguido pela Grande Depressão – Segunda Guerra Mundial, etc etc..

    Como foi muito bem destacado pelo Paulo o nosso sistema capitalista é marcado por ciclos de altas e baixas. Entretanto, não podemos esquecer do momento histórico vivido na década de 29 e o grande avanço da economia nesta época (modelo keynesiano que tirou os USA do buraco).

    Eu particularmente prefiro acompanhar o mercado e seguir as probabilidades mais visíveis (de curto prazo). Porém, se o assunto é longo prazo eu não discarto a possibilidade dos gaps serem fechados!! Pelo contrário, sou otimista…. tomara que fechem!!!!! hahaha

    Grande Abraço,
    Érica Porfírio.

  3. Régis disse:

    Como já disse Roberto Campos em seu livro “Lanterna na Popa” e o poeta e escritor Samuel Taylor Coleridge: “a luz que a experiência nos dá é a de uma lanterna na popa, que ilumina apenas as ondas que deixamos para trás.”
    Assim, usar a crise de 1929 como comparação pode ser um grande erro.
    Como disse o colega Fernando acima, o mundo hoje é muito mais dinâmico (só não entro no quesito globalização, pois o mundo naquela época também era, de outra forma, mas era) e muito já se aprendeu com os erros do passado.
    Um exemplo clássico do que se aprendeu com 1929 é que o Estado demorou muito para intervir na economia. Desta vez, porém, o que se vê é uma maciça intervenção dos Estados nas Economias.
    Se foi de forma acertada ou incorreta, poucos saberão responder com precisão. Mas dizer que teremos um novo ajuste só pela comparação com 1929 é muito arriscado.

  4. Dalton Vieira disse:

    Olá Fernando, Érica e Régis,

    Muito obrigado pelos comentários valiosos. Apenas para esclarecer que a minha expectativa não é de ver o IBOV abaixo dos 50 mil pontos novamente. No máximo acredito em uma correção em torno de 20% no curto prazo. Fiz a comparação do Dow Jones com 1929 a título de curiosidade, visto comentários que havia recebido sobre a possibilidade de queda nos próximos 2 anos. Aproveitei a minha curiosidade e decidi publicá-la no blog.

    Um excelente final de semana a todos.

    Grande abraço.

  5. Régis disse:

    Dalton e amigos, o IOF sobre o capital estrangeiro quase se encarregou de fazer esse ajuste. Ainda acho que tem muito para acontecer, mas o governo quase conseguiu ‘impor’ ajuste.

  6. Maykel Favareto disse:

    A questão para mim é que, em momentos de grande euforia e grande medo os valores das ações se descolam da realidade. Uma “crise” pode derrubar 60% o valor de uma cia elétrica ou de saneamento, que diminui 10% seu lucro. Hora, se temos cias que tem P/L de 7 e VPA 30% superior ao VA, fica difícil acreditar em fortes quedas. Isso porque antigamente o pequeno investidor não tinha acesso a bolsa e a oferta de crédito era muito menor. Em algum momento o investidor colocará seu dinheiro nesta companhia acima, esperando que a ação caia mais 50%, mas ficará com o lucro e terá seu dinheiro de volta em 7 anos. E pode considerar que, se o valor da ação permanecer no preço que comprou anos atrás, ainda sim sai no lucro.
    Agora, vcs tem razão na possibilidade de queda, visto que o investidor compra/vende algo a qualquer preço quando acuado. A questão aí independe dos fatos e da crise e é mais um problema relacionado às expectativas e as emoções. Tem gente afoita comprando com IFR (14) a 90 e gente desesperada vendendo com IFR 18. Pergunta: Qual a chance de eu errar comprando com IFR a 90 ou 18? Com certeza é grande. Eu diria provável.

    Vi uma reportagem bem interessante no InfoMoney. Um especialista com 30 anos de experiência diz que, não só a bolsa vai cair como vai perder os 30000 pontos. Sua argumentação é boa e convincente e tecnicamente ele tem razão. Tomara que não vá até lá, pois senão eu to morto!
    Agora, uma coisa é certa: Nada tem a ver a crise de agora com a de 1929.

    Abraço a todos

  7. Régis disse:

    Também vi um comentário desses no Info Money (não sei se era o mesmo), mas confesso que não o levei muito a sério. Tanto, que desde o comentário, se não me falha a memória foi em agosto do ano passado, a Bolsa praticamente só subiu. Tiveram algumas baixas, mas nada em 30.000 pontos.
    Quanto aos comentários terem fundamentos, todos do professor Nouriel Roubini têm. Entretanto, o que ele fala, na maioria, das vezes não se materializa. Falar que a Bolsa ou a economia vai cair é fácil, porque nós sabemos que existem os ciclos econômicos, mas prever quando isso vai acontecer é que é o complicado.
    Enquanto isso, alguns jornalistas diga-se, sem o mínimo de cuidado, dão um tremendo espaço para o que ele fala, mas não cobram as previsões (somente pessimistas) erradas dele.
    Confesso que se eu tivesse escutado o Nouriel Rubini e o Info Money em agosto, teria perdido de 30 a 40% de valorização dos ativos que escolhi no período.

  8. Dalton Vieira disse:

    Maykel e Régis,

    Muito obrigado pelos comentários, compartilhando conosco suas opiniões.

    A comparação que eu fiz foi apenas gráfica em relação as crises de 1929 e 2008. Sei perfeitamente que o momento econônimo é completamente diferente.

    No texto até menciono que não conseguia ver o IBOV abaixo novamente dos 50 mil pts. Ainda finalizei dizendo que “O importante, no meu ponto de vista, é ter um planejamento para a continuidade da tendência de alta e outro para uma intensa queda de curto a médio prazo.”

    Acredito que esse é o caminho. Ficar com a expectativa de baixa na “cabeça” e assistir o mercado subindo, definitivamente não é, no meu ponto de vista, a melhor estratégia.

    Particularmente gosto de sempre verificar através dos gráficos o que aumenta a probabilidade de continuar subindo ou caindo, visando atuar do lado que está com mais força.

    Espero sempre vê-los por aqui. Grande abraço.

  9. Maykel Favareto disse:

    Legal Dalton, sempre vejo suas análises no Easynvest. Também citei o IFR somente como exemplo, visto a ampla variedade de indicadores. Achei coerente sua análise, pois como você disse é gráfica e não macroeconômica. Agora, o interessante é que, do mesmo modo que analistas projetam queda forte, outros projetam o IBOV a 200.000 pontos em 2015. Aí acho que o negócio é comprar, pois estamos mais perto de 30.000 do que de 200.000. Ou seja, tem bem mais a ganhar.

    Abraço

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