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06.04.2009 | 15:00

Não há caos, há volatilidade

Publicado na(s) categoria(s) Aprendizado, Carlos Debastiani, por Aluno

A seguir mais um artigo do Carlos Alberto Debastiani enviada ao blog.

O que vejo estampado no rosto das pessoas, com frequência, quando o assunto é investimentos em ações, é uma resistente e aterradora expressão de perplexidade. A maioria delas está temerosa e pessimista diante daquilo que acreditam ser o caos completo. Desoladas com o comportamento do mercado de capitais a partir do agravamento da crise financeira internacional (no decorrer do segundo semestre de 2008), juram que nunca mais irão colocar um só centavo na bolsa de valores.

No entanto, se olharmos com mais atenção para os gráficos dos principais papéis da Bovespa, nos últimos meses, o que veremos não é caos, é apenas volatilidade. Devemos entender a volatilidade como uma condição de mercado na qual uma boa parte dos investidores opera sob a pressão de mudanças bruscas e antagônicas de expectativa, ora baseadas em fatores externos, ora forçada por seu próprio descontrole. Adicione a esse contexto o apimentado tempero da completa falta de consenso sobre o rumo futuro da economia e teremos o cenário atual, onde vemos papéis que apresentam até dois dígitos de oscilação em um único pregão.

Quando afirmo que não existe caos, tomando por base as técnicas mais conhecidas de análise gráfica, quero dizer que se ele realmente tivesse se instalado no mercado, tais técnicas não funcionariam mais, pois as bases nas quais elas se fundamentam teriam perdido sua validade.

No entanto, podemos ver que todas as ferramentas de análise técnica, seja em sua vertente estatística ou empírica, continuam sendo efetivas. Não tenho encontrado nelas, nenhuma indicação de que possam falhar mais agora. Aquilo que sempre funcionou (dentro do que se considera “funcionar”, em estatística) ainda oferece o mesmo nível de resultado que oferecia antes da crise. Dessa efetividade temos inúmeros exemplos, nas mais diversas ferramentas.

Se essa é a situação, apenas nos cabe continuar a fazer o que sempre fizemos: analisar o comportamento do mercado (que continua a ser repetitivo e, portanto, razoavelmente previsível, apesar da volatilidade) para nos posicionarmos a favor dele. Talvez o que nos falta seja apenas “calibrar” nossas ferramentas de análise para operar em trades mais curtos, pois as tendências de agora se mostram bem mais curtas do que eram antes, em função da falta de consenso.

Ao contrário do que muitos imaginam, a volatilidade pode representar um momento de oportunidade, na medida em que proporciona a possibilidade de lucros rápidos. Nesse cenário volátil conseguimos ver, a cada mês, oportunidades de ganho mais elevado que antes apareciam uma ou duas vezes ao ano.

As possibilidades de ganho parecem escassas apenas para os investidores com perfil de longo prazo, que não se valem das oscilações de mercado para operar e que, em função delas, não conseguem ver seus papéis com valorização constante, como ocorria antes da crise de 2008. No entanto, até mesmo investidores com esse perfil podem se valer da volatilidade para ampliar sua carteira, aproveitando os frequentes momentos de baixa para sair às compras, já que a maioria dos papéis pode ser adquirida a preços muito baixos, pelo menos uma vez a cada mês.

Carlos Alberto Debastiani é empresário, investidor e autor dos livros “Candlestick“, “Análise Técnica de Ações” e “Avaliando Empresas, Investindo em Ações“.

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